quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Por debaixo do escorregador do parquinho


Atravessamos mais um CONVERSAS DE DANÇA... Se ano passado, apesar de potentes, fomos tímidos e sucintos, esse ano nos transbordamos tanto que quase nos deixamos dispersar, sem perder a potência, mas experimentando reorganizações de tempos, espaços, situações e encontros mais laaaaaaaargos, mais leeeeeentos, mais oooooutros.

Foi linda a experiência do nosso assalto criativo. Mesmo de maneira frágil, alguma coisa a que devemos dar bastante atenção aconteceu. Muito ao contrário de dizer 'não' para algum tipo de experiência de dança, começamos a ver novos grupos de pessoas dizendo 'sim' para outros universos de relação e experiência sensível.

Nós fomos ao teatro, nos amarramos e nos desamarramos, falamos de sonhos e métodos de notação mais ou menos conscientes, reocupamos uma sala de música e a renomeamos, inventamos pretextos mil para nos encontrarmos, mesmo que fosse só para uma sessão temática de Youtube, traduzimos livremente do imagês pro dancês e qualquer vice-versa que caiba aí. Nós fomos à rua, cortamos e colamos papéis monumentais, plantamos nuvens e trouxemos velhinhos de volta à infância. Nós corremos, e corremos, e corremos... criamos "sessions" faladas, dançadas e imaginadas. Nós papeamos sobre fronteiras e sobre como dissolvê-las, bebemos cerveja, discutimos e experimentamos outras energias e fluxos para nos movermos, assistimos a danças de gente que tá longe, de gente que tá do nosso lado e de gente que acabou de nascer. Nós olhamos para nossa memória e discutimos sobre fantasmas, cozinhas e outras coroas da nossa história. Aí nós caminhamos, e caminhamos, e caminhamos... como se desacelerássemos de uma corrida, mas só para emendar em uma folia ainda mais extática.

E nós nomeamos isso tudo como dança. Não como nosso amigo Duchamp, mas como a criança que não abandona sua corrida de caminhões no deserto, mesmo quando o velho cético lhe pergunta: o que você está fazendo com essas caixas de sapato?

Essa criança parece um bando se juntando. Um bando de bandidos mais ou menos procurados pela lei, um bando de bandidos crianças que fantasia e se fantasia com novas cores, novos contrastes, não para se esconder, mas para dizer: ei, você que esqueceu de brincar, vem cá!

Sem certezas, ainda sem muita ideia formada para falar sobre a experiência que é uma experiência... hesitante (uma palavra bonita que ouvi essa semana), muitas vezes precário e potente exatamente por isso. Acho que é isso que dá para falar desse tal de conversas de dança, agora sem letras maiúsculas, sem o grito ou o pretenso tom de grandiosidade.

Foi lindo olhar para esse bando de novos e reincidentes bandidos brincando de dança durante um mês. Foi lindo ver esse encontro/festival/evento - chamemos como quisermos - mexendo nas estruturas do parquinho Petrópolis, mesmo que só mudando sutilmente a posição das pedras que ficam debaixo do escorregador e quase ninguém vê.

Agradecemos profundamente a todos os que acreditaram e participaram desse movimento. Agora vamos começar a alimentar o blog e a página do Facebook com materiais dos encontros que rolaram. Acompanhem que em breve voltaremos pro parquinho pra brincar mais.




Dá-lhe Medusa Kobra Khan!

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